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Caminhões

24/08/2009 14:42:00

Teste: Mercedes-Benz Axor 2640

Potência e temperamento definem este caminhão 6x4 que se adapta aos desejos de qualquer frotista

Mercedes-Benz Axor 2640

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Em uma reportagem em que li referente a um caminhão que estava sendo avaliado na Europa, me deparei com a seguinte frase: “Ser maduro, para muitos, deve significar uma certa desvantagem, pois pode denotar que estamos nos referindo a algo ultrapassado“. Logo descordei dessa linha de pensamento. Ser maduro é sobreviver a um mercado exigente, e isso é uma virtude. A gama de caminhões Axor da Mercedes-Benz tem essa característica, pois apresenta um bom nível de conforto a bordo, presteza e tecnologia, por isso que está no ranking dos modelos mais vendidos do segmento em que atua. Desde o lançamento, em 2005, a marca comercializou 24 000 caminhões da família apenas no mercado brasileiro.

Avaliamos o Axor 2640 6x4, equipado com um motor de 401 cv, indicado para composições bitrem e rodotrem, que possui CMT (Capacidade Máxima de Tração) de 80 t. Mesmo que as potências maiores sejam as mais indicadas para esse perfil de transporte, na média 420 cv, o modelo mostra-se versátil, graças ao seu dinamismo na rodovia e o resultado de consumo — detalhes que beneficiam generosamente na hora de tabular os custos na planilha. Para cobrir as exigências daqueles que preferem maiores cavalagens, a grife de origem alemã também dispõe da versão Axor 2644, de 428 cv. Ambos indicados para o transporte de mercadorias frigorificadas, industrializadas, alimentícias, cereais, líquidas e outros.

Conhecida como uma marca que rompe barreiras quando o assunto é inovação, a Mercedes foi pioneira ao introduzir, na década de 1990, o freio a disco, que hoje faz parte do portfólio como item de série. O sistema antibloqueio ABS também é de série neste modelo. Ele as segura o melhor controle do veículo durante as frenagens, mesmo carregado, evitando o travamento das rodas. Agregado ao freio-motor Turbo Bra ke, oferta boas notas ao veículo, já que a tecnologia possui um poder de frenagem de 540 cv e, se for utilizada em apenas 50%, sua capacidade de frear passa para 350 cv. Por ser um item opcional, paralelamente, o freio-motor pode custar R$ 6 500.

O propulsor MB OM-457 LA, com gerenciamento eletrônico, demonstra força, pois oferta um torque de 214 mkgf a 1 100 rpm. Os cilindros estão cobertos por cabeçotes individuais com 4 válvulas por cilindro: duas de admissão, uma do escapamento e outra do Turbo Brake — solução que garante o correto alento ao motor.

Além do propulsor, os outros itens que compõem o trem-de-força também levam o nome da marca da estrela, como o câmbio G 240 de 16 marchas, cujos atributos são as trocas suaves e precisas. Nas duas últimas velocidades, há o sistema overdrive, esse prolongamento de marchas colabora para a melhor produtividade e para a economia de combustível. Não era o caso do caminhão que estávamos testando, mas vale mencionar que essa caixa pode equipar, opcionalmente, um retarder hidráulico Voith R115HV, em substituição ao Turbo Brake.

Com 3 300 mm de entre-eixos, o Axor 2640 6x4 possui eixos traseiros de tração HD-7 e HL-7 com redução nos cubos das rodas. A solução gera maior durabilidade ao caminhão, que para a atividade com bitrem é necessária, sobretudo, porque é bastante comum viagens para locais em que as estradas ainda deixam muito a desejar, como no Norte do país.

Um desenvolto nas rodovias
Carregado com 56 230 kg, o MB Axor 2640 rodou 300 km pela tradicional rota entre São Paulo e Peruíbe, sendo a viagem dividida em três etapas. Na primeira, a descida de serra, pela rodova Anchieta, colocamos em prova o poder de frenagem do Turbo Brake. Nem foi necessário utilizar o tempo todo 100% do equipamento. E olha que estamos falando de uma das serras mais íngremes da região. O equipamento é realmente eficiente, pois em alguns momentos 50% do seu uso foi o suficiente para segurar o caminhão nas curvas, sem a necessidade de, em nenhum momento, ter de pisar no freio de serviço.

Nessa etapa o veículo desceu utilizando a 4ª marcha reduzida, até a Curva da Onça; logo em seguida, passando para 4ª simples, entre 35 e 38 km/h. Foram 13,5 km de descida de serra, feitos em uma velocidade média, segundo o computador de bordo, de 27 km. Isso se traduziu em 22 min., o tempo de duração da viagem. O caminhão consumiu 41,2 litros de óleo diesel. Mas vale dizer que a viagem teve início na saída da fábrica, em São Bernado do Campo, SP, onde fizemos o primeiro abastecimento. Nessa etapa, até o final
da serra, foram 81 km rodados e o Axor consumiu 1,96 km/l. Já ao nível do mar, a viagem se resumiu na velocidade de cruzeiro, dividindo as 7ª e 8ª marchas simples, entre 1 200 e 1 500 rpm no conta-giros. Nesses 151 km percorridos, tem muita coisa para se prestar atenção a bordo do Axor, mas uma das que mais me atraíram foi a boa visibilidade do veículo — leia-se composição bitrem —, graças aos espelhos retrovisores bipartidos e às janelas amplas que proporcionam melhor segurança. Nessa etapa, foram 59,20 litros de diesel com uma média de consumo muito boa: 2, 59 km/l.

Na subida de serra, o caminhão foi entre 35 e 36 km/h, dividindo a 5ª simples e a 6ª reduzida, de 1 500 a 1 600 rpm. Foi um trecho tranquilo e no qual o Axor mostrou os seus verdadeiros predicados como um caminhão pesado, pois deixou muitos bitrens, e aqui vale a expressão "comendo poeira", nas ultrapassagens que fez na Imigrantes. Nos 67,9 km restantes da viagem, foram 59,2 litros de combustível e uma média de 1,14 km/l nesse trajeto. Contudo, ao final, o resultado dessa terceira etapa em nada comprometeu, porque o modelo demostrou-se amigo do transportador. Do total dos 159,6 litros de óleo diesel, ele cumpriu 1,87 km/l.

Fernando Fischer / texto: Andrea Ramos * teste: João Moita

Imagens Bruno Guerreiro

Interação

Comentários

Anderson Dantas , em 24/06/2010 - 11:05

Tenho um colega que atua no ramo de transporte de areia e pedra, ele utiliza várias marcas a título de comparação, por incrível que pareça a linha Axor da Mercedes é que menos dá dor de cabeça, principalmente no trem de força, segundo ele o caminhão ...

Anderson Dantas , em 16/06/2010 - 17:33

Mesmo não tendo o nível de acabamento mais luxuoso, o Axor é hoje uma das melhores opções em termos de relação custo benefício, possui um trem de força fabuloso, ponto para o diferencial HL 7 que é um dos mais robustos do mercado, a transmissão que t...